Evento no BNDES dá a largada a projeto de inovação em silvicultura de nativas

SEGUNDA-FEIRA, 16 DE MARÇO DE 2026
Evento no BNDES dá a largada a projeto de inovação em silvicultura de nativas

Foto: Ronaldo Rosa/ Embrapa

 

  • Trinta espécies madeireiras nativas ganham apoio para pesquisa e desenvolvimento por meio de financiamento de R$ 25 milhões do BNDES;

  • Sob a coordenação da Embrapa e da UFSCar e com apoio operacional e administrativo da FAI UFSCar, universidades e empresas poderão se associar para executar as atividades.

 

No final de 2025, o BNDES aprovou financiamento não reembolsável de R$ 25 milhões, por meio de seu Fundo Tecnológico (Funtec), para promoção de um projeto de inovações sobre o plantio e manejo de espécies madeireiras nativas. No dia 17 de março, será realizado, na sede do BNDES no Rio de Janeiro, um evento de divulgação pública do projeto.

Serão apresentadas as principais linhas de ação, as 30 espécies prioritárias dos biomas Amazônia e Mata Atlântica, os protocolos de pesquisa e os resultados esperados do projeto. Além disso, universidades, empresas e centros de pesquisa atuantes no setor de silvicultura poderão conhecer as formas de participação no projeto.

Apresentado em conjunto pela Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FAI), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Embrapa, o projeto é visto como uma primeira fase, com duração de cinco anos, do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento em Silvicultura de Espécies Nativas (PP&D-SEN). O Programa foi lançado em 2021 pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, movimento composto por mais de 450 representantes do setor privado, setor financeiro, academia e sociedade civil. 

Nove áreas do conhecimento serão trabalhadas: sementes e mudas, melhoramento genético, propagação vegetativa, manejo florestal, tecnologia da madeira, zoneamento topoclimático, política e legislação e mercados e produtos e serviços ambientais. As atividades serão desenvolvidas por meio de subprojetos, nos quais instituições de pesquisa atuarão como parceiros executores, que ainda poderão contar com a participação de empresas privadas, as quais responderão por contrapartidas financeiras e não financeiras.

Os valores aportados pelo BNDES serão somados aos recursos adicionais aportados pelo Bezos Earth Fund, por meio do Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul). Ao longo da sua execução, empresas, fundos e agências de fomento poderão agregar novos recursos ao projeto.

 

Silvicultura de nativas: os benefícios para o país

As madeiras das espécies de árvores nativas do Brasil estão entre as mais valiosas do mundo e são adequadas para diversos usos e setores. Os produtos de madeira tropical ainda são em sua quase totalidade provenientes da exploração de florestas primárias. O cultivo e o manejo de espécies nativas plantadas ainda são incipientes, apesar de seu enorme potencial. Parte dos 50 milhões de hectares de áreas de pastagens degradadas existentes no Brasil que contam com baixa aptidão agrícola poderia abrigar plantios de espécies como cumaru, andiroba, ipê, araucária, castanheira, jequitibá rosa, angelim e jacarandá, entre outras selecionadas.

A promoção da silvicultura de nativas se alinha aos investimentos em bioeconomia no país. A expectativa é repetir para o plantio de nativas o êxito histórico do país nos setores de eucalipto, soja e cana de açúcar. Como benefícios adicionais, será possível promover a conservação da biodiversidade, o sequestro de carbono e a geração de empregos verdes e renda.

No horizonte está a tentativa de permitir que a silvicultura de espécies nativas ganhe escala e produtividade, e o país possa ocupar uma posição de liderança na produção sustentável de madeira tropical. Além disso, a silvicultura de árvores nativas é vista como uma atividade que pode contribuir para o cumprimento das metas de restauração estabelecidas pelo Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), conduzido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

“Além de plantio de novas áreas experimentais que compõem a Rede Experimental de Longa Duração (Rede SELD), o projeto vai otimizar a obtenção de informações de experimentos implantados há quatro décadas nos biomas Mata Atlântica e Amazônia”, afirma o chefe geral da Embrapa Florestas e coordenador do bioma Amazônia no projeto, Silvio Brienza.

“O início desse projeto é um marco, pois se trata de uma iniciativa inédita que congrega instituições importantes do setor em prol da silvicultura de espécies nativas no Brasil”, afirma o professor da UFSCar e vice-coordenador do bioma Mata Atlântica no projeto, Ricardo Viani. 

"A silvicultura de espécies nativas é fundamental para consolidarmos a economia florestal no século XXI”, ressalta Miguel Calmon, colíder da Força-Tarefa Silvicultura de Nativas da Coalizão Brasil. “O apoio do BNDES à agenda é um marco estratégico que une pesquisa e tecnologia para superar gargalos históricos, dando escala à produtividade sustentável, gerando empregos verdes e alçando o Brasil ao protagonismo global em bioeconomia e conservação."

 

Como será o evento

Com a expectativa de participação de integrantes de quase 70 instituições, entre órgãos de governo, empresas, universidades e organizações não governamentais, o evento será realizado no dia 17 de março, das 9h às 17h, na sede do BNDES no Rio de Janeiro.

Na abertura do evento participarão a diretora Socioambiental do banco, Tereza Campello; a diretora de Governança e Informação da Embrapa, Selma Beltrão; a reitora da UFSCar, Ana Beatriz de Oliveira; e o diretor da FAI-UFSCar, Targino de Araújo Filho.

Em seguida, haverá uma sessão sobre o histórico e as perspectivas do Programa de Pesquisa & Desenvolvimento em Silvicultura de Espécies Nativas (PP&D-SEN). Ainda pela manhã, representantes de empresas e universidades vão apresentar visões do setor privado e da academia sobre a pesquisa e desenvolvimento da silvicultura de espécies nativas.

À tarde, será divulgado o início do trabalho de mapeamento em âmbito nacional de potenciais parceiros do projeto, e serão lançados os Protocolos de Pesquisa do projeto.

Por fim, haverá uma sessão de perguntas e respostas sobre a execução do projeto, na qual representantes de empresas e universidades poderão conhecer as diversas formas de participação.

“O Brasil tem condições únicas de liderar uma economia florestal baseada em ciência, inovação e uso sustentável da biodiversidade. Desde 2023, o BNDES já mobilizou cerca de R$ 7 bilhões para conservação, recuperação e manejo de florestas, reforçando a importância estratégica do setor florestal para a bioeconomia e para o desenvolvimento sustentável do país”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

 

Texto: Assessorias de Comunicação da Coalizão Brasil, Embrapa Florestas, FAI UFSCar e BNDES